Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

O peso da memória

 

 

Pintura de António Peticov

 
Era uma noite igual a tantas outras.

Entrou na sala onde apenas se via a luz do pequeno candeeiro sobre a escrivaninha. O resto da casa estava às escuras com a excepção do hall de entrada que ela tinha por hábito deixar iluminado, para lhe dar a sensação de que morava ali mais gente.

 

Acendeu uma vela aromática para disfarçar o cheiro do tabaco e começou a escrever na tentativa de aliviar a melancolia que se começava a apoderar dela. No silêncio esmagador da sua solidão, apenas se ouvia o som das  teclas do computador  sob os seus dedos.

 
 

Não esperava visitas e certamente ninguém lhe iria bater à porta. Estava sozinha como na maioria das noites da semana, mas naquele momento tudo lhe era pesado.

Aquela, era uma daquelas noites em que precisava de ouvir dizer: Amo-te.

Fechou os olhos e imaginou-se a subir uma escada que a levasse para um mundo encantado onde os silêncios fossem leves, as palavras verdadeiras e as pessoas permanecessem para todo o sempre.

 

Um mundo onde a palavra "partida" não fosse conhecida.

 

 

 

 


 

MT-Teresa

(18/10/07)

 

 


escrevinhado por MT-Teresa às 22:33
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7 comentários:
De Visitante a 18 de Outubro de 2007 às 23:46
Minha Alf...azema Linda

Essa escada que imaginas subir... pode ter dez degraus, numerados de 0 a 9...

O topo luminoso dessa escada pode ser um ecrã onde tu possas ver reproduzido aquilo que quiseres escrever... ou um número composto por nove dígitos...

Quem te responder do topo dessa escada, pode não dizer "amo-te", mas terá uma palavra qualquer com tentará fazer-te sentir um pouco melhor.

E a palavra, aí, não é "partida", mas "chamada".

Beijinho
Visitante


De MT-Teresa a 20 de Outubro de 2007 às 09:54
Claro que eu sei isso e felizmente não me posso queixar dos amigos

Mas às vezes é preciso mais...não concordas?

Além de tudo..isto são desabafos...!

Ou serão antes estados de espírito?

Beijos


De mariola a 18 de Outubro de 2007 às 23:56

Dói... sim!

Nada do que lhe dissermos (escrevendo), lhe vai valer.
O Henrique tem razão.



Vasconcelos


De MT-Teresa a 20 de Outubro de 2007 às 10:02
Pois dói!

Imagino que sabe do que falo/escrevo.

Sabe uma coisa Vasconcelos? Às vezes interrogo-me porque escrevo eu estas coisas e as "publico".

Tem razão, nada do que me possam dizer me alivia quando estou assim, porque é realmente um estado "solitário". A sorte é que vai passando e hoje até está um dia fantástico e eu estou quase a ir de FDS para as minhas flores e o sossego da aldeia com "vista para o mar", que até nem fica tão longe assim.


Beijo


De carmemzita a 19 de Outubro de 2007 às 23:29
Com a palavra "partida"
resolvi colar os cacos
desbotados duma vida...

Mas a palavra" chegada"?
Mandou-a pintar macacos
e correu-lhe na peugada.

Um beijinho e os meus sentimentos
embora atrasados.


De MT-Teresa a 20 de Outubro de 2007 às 09:52
Obrigada amiga

Também tenho "chegadas" como qualquer um, mas se me der ao trabalho de fazer um gráfico, talvez a palavra "partida" chegue ao topo....

Talvez por isso não o faça, até porque o meu forte não são as matematicas e também com uma memória como a minha quem precisa de estatisticas?

Beijinho


De . a 20 de Outubro de 2007 às 23:17
Pode parecer estranho (louco) mas estou a ler e a imaginar que tantas vezes sinto falta desta solidão...
Falta do meu canto ,os meus pensamentos sempre invadidos, do meu silencio ,do cheiro do meu cigarro.. ate de saber que ninguem vai dizer amo-te...
Boa noite


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