Domingo, 22 de Abril de 2007

Morte ao Meio-Dia

 

.

 

No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
 
Dezembro vibra os vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
 
que cobre os campos neste meu país de sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é para comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
 
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
 
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
 
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nos foi um dia menino?
 
Há neste mundo seres para quem
a vida contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta à gravidade do momento
 
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
 
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem venda a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
 
Ruy Belo

. 



escrevinhado por MT-Teresa às 20:10
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5 comentários:
De JPatricio a 23 de Abril de 2007 às 00:06
Obrigado,MT,por nos ter trazido Ruy Belo e este poema , que é também a fala directa de uma impossibilidade comum - o da libertação do país da opressão e do silêncio forçado,estéril, durante os anos do fascismo.


De MT-Teresa a 24 de Abril de 2007 às 07:42
Bom dia João Patricio

Envio daqui...o meu Cravo...com cheirinho a Liberdade, sei que o vai distribuir...ao seu redor, nestas comemorações do 25 de Abril



De Anónimo a 23 de Abril de 2007 às 11:32

e eu digo:

- o meu país, apesar de tudo, é sem dúvida... o que o mar não quer!



sombra


De MT-Teresa a 24 de Abril de 2007 às 07:40
Tem razão Sombra

(será que o nosso drama - como Povo - se prende com o facto de continuarmos a querer o mar...apesar de ele não nos querer?...)

Bj e um bom dia para si


De Anónimo a 10 de Maio de 2007 às 16:19

“Gostarei sempre do meu país enquanto o escarnecerem. Amá-lo-ei mesmo na sua nudez, nos vícios e nas coisas luminosas. Serei português com a moral e com o espiríto, e com o sangue até de quem traz em si um verso, um cheiro a mar, um fruto da sua terra.”

João de Melo, in "Gente Feliz com Lágrimas"

resposta (trabalho de casa)

Amarei o meu país, mesmo longe, nos seus heróis, nos seus poetas e até nos seus traidores. Enquanto dele maldisserem, ficarei ao seu lado, mesmo quando já nada parecer poder ajudá-lo. Não deixarei de acreditar em Portugal, guardarei o « que o mar não quer ». Porque o meu país, antes de tudo, é Meu. É Meu nas diferenças sociais, no insucesso escolar, nas horas de espera do hospital. Porque eu amarei sempre o meu país como um todo e não apenas no bom e no belo.
E quando passar muito tempo e de mim nele não restar já quase nada, mesmo aí não esquecerei o meu país. Visitarei Lisboa, à distância, vou subir ao Chiado com Eça, sentar-me na Brasileira com Pessoa e ver fugir o Tejo para África com Manuel Alegre.
E descerei à praia e serão as mesmas pessoas, os mesmos cheiros e as mesmas cores.

19/04/2007





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