Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

O Lado Escuro

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"Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro

 que nunca mostra a ninguém "

"Mark Twain"

....

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.

 

  Foto: J.G.

 

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neste momento estou: no lado escuro da Lua
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escrevinhado por MT-Teresa às 19:30
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Domingo, 29 de Abril de 2007

O Crepúsculo

 Foto: MT

.

Vejam como sou branca
e me descobrem
por entre as noites
das inquietações desvairadas
onde  alguém me alcança
com uma espada
e me trespassa de alto a baixo
fazendo-me em bocados
.
 
Sintam como me deito
a morrer por dentro
dos cansaços desta espera
de sonhos por sonhar
e dos desígnios por cumprir
que me lançam os deuses
escondidos em cavaleiros alados
.
 
Chorem-me o amor urgente
fugidio e  impermanente
dos dias em que me levanto
branca e leve
depois de um crepúsculo
vermelho e apaixonado
que ainda vive em mim
.
 
Chamem-me as vozes veladas
os corpos frementes
e as bocas famintas
que onde houver um espasmo
de dor ou até de desejo
saberei onde ir...
mesmo que me perca
.
Teresa E. (29/04/07)
.
neste momento estou: encantada

escrevinhado por MT-Teresa às 19:42
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Sábado, 28 de Abril de 2007

Existir em Poema

 Óleo de Picasso

.

" Nada garante que tu existas
   Não acredito que tu existas
  Só necessito que tu existas"  (David Mourão Ferreira)

.

Aqui, no silêncio da minha casa, que já teve risos e vozes e cantos...
só eu existo, inteira.
Ontem, também havia a dor, a saudade e as lágrimas, em constante caudal de penas e desamores.
Também a paixão e o amor moraram nela. E muitas vezes a solidão, fria e companheira.
 
mas, aqui, agora...
 
existes comigo em poema constante
em fogo interior que escondo dos teus sentidos
em silabas de amor, prenúncio de desejo
verbos conjugados em êxtase, regulares
na cadência dos olhares que não vejo
vogais sopradas alinhavadas na junção
das bocas que não beijo
 
hoje...
 
por ti...sou poema
sem fim ou meio
para descobrires como sou feito
.
Teresa E. (28/04/07)

.

neste momento estou: a desbravar caminhos

escrevinhado por MT-Teresa às 08:46
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Encantamento

  Pintura de Salvador Dali

.

Uma luz pequena reflexo da minha
sem saber que o era
Um espelho mágico a decifrar desejos
dádiva de deuses quase perfeitos
Um mar de sentidos libertos
a inundar desertos amortalhados
Rios vagueando apressados
a transbordar dos leitos
Estrelas a chorar despedidas
e a dar vida aos corpos
Luas enlouquecidas
a desatar segredos
Pássaros moribundos
a soltar os beijos
.
 
E eu...encantada
pergunto a alguém
que vai passando
como fica a minha alma
fora da claridade
que me foi mostrada
.
Teresa E. (27/04/07)
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escrevinhado por MT-Teresa às 19:31
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As Palavras na Madrugada

 Foto de MT
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São 5,30h da madrugada.
Mais uma, em que os "sons são mais íntimos", "as solidões mais fundas", "as paixões são mais ardentes" e até  "as dores mais insuportáveis".
. 
 
Mas nesta madrugada, em que o meu sono foi profundo e seguido, acordei simplesmente porque ele se recolheu mais cedo, e mesmo que eu tentasse dizer-lhe, não vás,  ainda é cedo, seria uma súplica vã, porque ele já não me ouve.
. 
Assim, abandonada pelo sono, vim tentar encontrar as palavras, essas que quase nunca me deixam,  e que rodopiam perante os meus olhos. Sou  uma "boneca de trapos" nas mãos delas. Vão ter comigo, mesmo quando não quero, desafiam-me, piscam-me o olho, riem-se de mim, acordam-me, e até me oferecem folhas brancas, para que eu as conserve em lugar seguro, onde o esquecimento não possa entrar.
.
Eis-me de novo,  nua perante elas.
.
Com o passar dos minutos vejo-me vestida de branco reluzente ( como as estrelas que ainda brilham nesta madrugada) e lentamente vejo compor-se um ramo de flores que vão salpicando de azul o meu vestido e encher de letras as páginas da minha vida por escrever.
.
Agora que despertei e que o dia já me sorriu, escolho algumas e levo-as nos olhos.
.
neste momento estou: em paz
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escrevinhado por MT-Teresa às 07:13
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Depois da Festa

 

.

 

Há dias de festa. Únicos em intensidade e alegria.
 
Que fazer ao silêncio, depois da festa?
.
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neste momento estou: presa no silêncio
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escrevinhado por MT-Teresa às 06:43
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

25 de Abril

.

Que não se apague a "Alvorada que eu esperava"

.

.

Que não se esqueçam os Homens

.

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.

                                                                                

.

Agradeço a todos os que por aqui foram deixando o seu cravo

.

BOM 25 de ABRIL

 

.

neste momento estou: rubra e verde
ao som de: Zeca Afonso

escrevinhado por MT-Teresa às 07:51
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

O Grito e a Utopia de Um Povo Inocente

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Hoje lancei um grito (mudo) contra a injustiça e os tiranos da democracia. 
Mesmo assim, alguém o ouviu e entre outras coisas, disse-me:
 
"Se te perguntarem o que é ser  de  Esquerda , diz-lhe que é viver sem autorização de ninguém e mijar na tumba dos  tiranos da democracia, que mascáram ..."
.
Obrigada João P. por teres ouvido o meu grito.
.
 
Tinha pensado acabar o ciclo do 25 de Abril com um Poeta consagrado. Mudei de ideias depois do grito (meu) e de ter lido o fantástico poema que alguém me deixou num comentário. Não sei se é consagrado mas é Poeta sem "sombra" de dúvidas.
.
Obrigada amigo "Sombra" (cujo nome porque escolheu ser conhecido aqui, está pela 1ª vez  visível) por me ter dedicado (também) este poema.
.
 
UTOPIA DE UM POVO INOCENTE

naquele tempo
era a vontade, que me urgia a esperança
era o grito ainda amordaçado,
que me reclamava o abraço
que me renovava o sorriso...
era o "crer" e o " acreditar",
que me requeria o testemunho
de assistir na rua e a uma só voz:

ouvir dizer "não"...
ouvir dizer "basta"!

era o renascer de uma nação inteira
feita de sonhos e alegria
com os largos e as ruas do meu país
repletas de júbilo colectivo,
onde o som ensurdecedor
da igualdade... em lágrimas nos comovia...

naquele tempo

os poetas eram ainda, "soldados desconhecidos"
e os capitães...
que tinham cara de menino e nervos de aço,
eram os verdadeiros apóstolos da fraternidade
e... muitos não sabiam o que isso era...
mas não importava, porque tudo era novo...
e o povo gostava... de ser povo
e assim anónimo, o povo cantava "Zeca"
e reinventava caminhos, "...dentro de ti ó cidade..."

naquele tempo
nesse dia... 25 de Abril

a liberdade... que ninguém conhecia

tinha a forma de um cravo
e a cor  verde e rubra de... Portugal

.

José L. Santos (sombra)

07.04.24

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escrevinhado por MT-Teresa às 21:12
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Nunca Mais

  Aljube  Forte de Peniche

  Tarrafal    

.

 

 Forte de Caxias  Caxias

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         Cela de Isolamento PIDE (Coimbra)

.

(Fonte: Associação 25 de Abril)

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Mesmo na noite mais triste

Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste

Há sempre alguém que diz não

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Manuel Alegre (Trova do vento que passa)

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neste momento estou: com cravos na mão
ao som de: Zeca Afonso

escrevinhado por MT-Teresa às 06:47
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Dia do Livro

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Hoje, queria mesmo...
ser página de livro, esse, que ao contrário de mim,
 vai estar nas tuas mãos.
.
 Aumentaria as letras (palavras escritas)
 para melhor me leres.
E se em vez de página, eu fosse o livro...
escolheria uma capa de seda,
lisa e suave como a minha pele,
 (acredita a minha pele ainda é seda)
 para me sentires...
Quando o desfolhasses...
saberias os versos que eu fiz para ti,
 esta noite...
quando fui ao teu encontro sem saberes.
.
 
 Hoje, vou fechar os olhos
 e vou sentir que estás comigo.
Mesmo que eu seja, nas tuas mãos,
 apenas uma página
do livro que ainda não escrevi...
 ...
Teresa E.
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escrevinhado por MT-Teresa às 07:06
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Domingo, 22 de Abril de 2007

Morte ao Meio-Dia

 

.

 

No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
 
Dezembro vibra os vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
 
que cobre os campos neste meu país de sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é para comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
 
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
 
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
 
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nos foi um dia menino?
 
Há neste mundo seres para quem
a vida contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta à gravidade do momento
 
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia
 
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem venda a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer
 
Ruy Belo

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escrevinhado por MT-Teresa às 20:10
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Sábado, 21 de Abril de 2007

Sempre

 

 

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Bom fim de semana

.

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escrevinhado por MT-Teresa às 09:09
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

A Teia

 Pintura de Cesariny (fragmento)

.

Com um tear de marfim

uma teia de pingos d'água

amorosamente teci

dei-lhe a cor da minha boca

rubra como uma rosa

o perfume do meu corpo

coberto de jasmim

a seda da minha pele

quente como o mosto

o azul dos meus olhos

brilhantes de luar

e as vagas ondulantes

de sereia do mar

 

Teci uma teia perfeita

e nela me escondi

cativo sombras e almas

que andam a vaguear

umas prendo

outras não

quando solto o meu cantar

.

Teresa E.

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neste momento estou: numa teia
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escrevinhado por MT-Teresa às 20:20
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

O Mar

 Pintura de Salvador Dali

 

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Sabem o que o Mar faz aos nossos gritos?

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escrevinhado por MT-Teresa às 07:34
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

MT

.
Poucos sabem a origem do nome "MT". Muitos adivinham facilmente que MT são as iniciais do meu nome "Maria Teresa".
 
Mas MT tem uma pequena história...carinhosa.
 
O meu filho começou por me chamar "Mãe"... foi das primeiras palavras que aprendeu, como todos os filhos de outras mães. Depois passei a ser "pechita"...vai-se lá saber porquê! 
 
A partir da altura em que ele passou a achar-se o meu protector e zelador, ou que percebeu em mim uma certa fragilidade, chamou-me de MT.
 
Quando me olha, com aquele ar malandro e cheio de cumplicidades e me diz:
 
 - Ah MT das MT's..., sei que me reconhece e me ama com todas as minhas imperfeições.
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escrevinhado por MT-Teresa às 09:40
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Parabéns Filho

 Pintura de G.Klimt

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Hoje fazes anos
Vais desculpar não ter ainda embrulhado o teu presente. Não encontro o papel certo apesar de procurar desde que vieste ao mundo a cor e o padrão que ficou gravado no meu coração.
O amor não se pode embrulhar. O amor é ele próprio o  invólucro.
Filho, sou cheia de defeitos, inseguranças, temores. No entanto, ao olhar para ti e para o ser humano maravilhoso que és, sei que a minha obra prima está feita e que todos os que a contemplam e tocam, se rendem á  beleza que emana dela.
Não se consegue escrever o amor...este amor!
.
Que a tua vida te seja leve.
.
neste momento estou: cheia de alegria
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escrevinhado por MT-Teresa às 07:19
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Domingo, 15 de Abril de 2007

A Carícia do Sol

 

.

Com o Sol a acariciar-me languidamente
deixo-me arrastar de mão dada com o vento
para universos desconhecidos
e mares nunca alcançados
onde corais azulados alimentam  o meu corpo
 
Em êxtase sou levada por peixes prateados
que me iniciam na dança sensual das marés
cingindo-me num circulo de fogo
que me percorre o sangue
e me faz rodopiar  loucamente
ao som de flautas marinhas
que eu ouço encantada
e desfalecida de prazer
.
Teresa E
.
neste momento estou: bronzeada pelo sol
ao som de: Rodrigo Leão

escrevinhado por MT-Teresa às 22:43
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Sábado, 14 de Abril de 2007

Coisas simples

.

 

Adoro as coisas simples.

Elas são o último refúgio de um espírito complexo

Oscar Wilde

.

Deixo-vos com algumas das coisas simples de que gosto

. 

         

 

       

 

        

 

         

 

Quais são as vossas?

.

Bom Fim de Semana

.

 

neste momento estou: Quase a ir de fim de semana

escrevinhado por MT-Teresa às 08:06
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Poema inacabado

 

.

 

Que tristeza te adivinho

profunda,  dolorosamente gritada

vinda da tua alma em sangue

do teu corpo expectante

em noites escuras de desejos

amordaçados

.

Solta o teu pranto, Poeta

deixa os abismos passar

renasçe para a nova claridade

e abraça sem medo

a aura misteriosa

com que te envolvo nos meus braços

.

Reconheces-me de outras vidas? 

..........

Teresa E (13/04/07)

.


escrevinhado por MT-Teresa às 19:30
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Beijos soprados

 

.

Hoje... de rosto sereno e soalheiro

olhos azul-mar cheios de sorrisos

cabelos loiros perfumados de flores

abracei a manhã,

quando apenas os pássaros se ouviam

e o mundo ainda adormecido

me fazia companhia.

.

Com uma mão, desprendi uma rosa

tirei-lhe os espinhos

depositei nela os beijos

saídos intactos da minha boca

e com a outra....soprei-a pela porta

no teu sentido.

.

Ainda não sei...se chegaram ao destino...

.

Teresa E ( 12/04/07)

.

neste momento estou: bem
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escrevinhado por MT-Teresa às 13:57
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Lembrei-me dos meus "bocados"...

 Kiss de Klimt

.

Sinto a tua ausência

como se me rasgassem

em bocados desencontrados

doces e salgados

cacos desbotados

escritos com a pena

da saudade

.

Ah! se eu pudesse...

pintava-me com asas

roubava um coração

p'ra novamente

de paixão morrer

.

(postado em 5 Fev 07)

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escrevinhado por MT-Teresa às 22:26
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Abril

  Foto: João G

.

Vinhas descendo ao longo das estradas,

Mais leve do que a dansa

Como seguindo o sonho que balança

Através das ramagens inspiradas.

.

E o jardim tremeu,

Pálido de esperança.

 

.

 

Sophia de Mello Breyner ( Dia do Mar)

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escrevinhado por MT-Teresa às 19:21
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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Estrela do Mar II

.

 

Roubei uma estrela ao teu olhar
reflexo pálido de horizontes luminosos e tardios.
 
Viajante de mares profundos, emergi
para a claridade das palavras
embrulhadas em luas prateadas,
luas que me afagam em carícias
de seda.
.
De corpo nu, deixo marcas de cometas em chama
na areia onde habitas
e vejo-te desfalecer à minha passagem
desejando que não me desvaneça
como fumaça
 
Roubei uma estrela...
e o desejo de voltar a ser
estrela do mar
ganhou formas de lava
deixando sulcos de fogo
no meu corpo d'água
 
Mergulhamos em grutas subterrâneas
e em silêncio, aprendemos
os gestos de ternura
já esquecidos.
Por fim...trocamos palavras
como quem se beija
.
Teresa E ( 10/04/07)
.
neste momento estou: bem
ao som de: Jorge Palma - Estrela do Mar
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escrevinhado por MT-Teresa às 23:51
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Bom dia com António Ramos Rosa

 Foto: MT

Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração



António Ramos Rosa
( Viagem através duma Nebulosa -1960)

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neste momento estou: cansada

escrevinhado por MT-Teresa às 07:35
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

A Delicada Neblina

.

Caíu sobre o meu rosto

uma delicada neblina

de teia fina

música sublime

de misteriosa onda

soprada em surdina

de uma concha

resgatada da margem firme

dos teus sonhos

.

Veladamente...espero

palavras, sons de

flautas encantadas

passos sonoros de faunos

descarados

que empoleirados em ramos

de flores que esbanjo

à tua passagem,

beijam o meu rosto

cheio da neblina

com que me encantas

e me desnudas

nas noites eternas

dos contos que da tua mão

resvalam,

directos, para a minha alma,

sem pedires nada

.

Teresa E ( 9/04/07)

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escrevinhado por MT-Teresa às 13:08
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Domingo, 8 de Abril de 2007

Receita de Almoço de Páscoa

 Fotos:MT

 

     .       

. 
Ingredientes:

Algumas flores de cheiro
1 Ninho de andorinhas
1 Olhar de cão (doce)
Alguns raminhos de algas
Silêncio q.b.
Sol para aquecer
Gargalhadas ao gosto
Abraços, muitos
Amor a transbordar
Amigos, o suficiente
Alegria, o que se quiser


Misturar tudo muito bem, manter aquecido em lume brando, juntar no fim um pouco de "pimenta" e algum vinho (tinto), para dar mais sabor.

Não esquecer os patos endiabrados

Este foi o meu almoço de Páscoa, espero que o vosso tenha sido também "apetitoso"

.

 


neste momento estou: cansada mas feliz
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escrevinhado por MT-Teresa às 21:28
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Perdoa-me...

.

 

 

. 

Perdoa-me...
não ser a tépida água
suave e constante
de uma fonte no mar
sereia encantada
fada menina
mulher fogosa
imagem sonhada
do teu prazer 
 
Ser areia fina
a rodopiar no vento 
e ser outra
agora
a brisa marinha
que me faz voar
.
neste momento estou: quase a ir de férias
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escrevinhado por MT-Teresa às 08:19
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

A Páscoa e eu

 Pintura de P Cesanne

.

Para mim a Páscoa é como o Natal, ou seja, um pretexto para reunião de família alargada.
Se o tempo não me trocar as voltas e o Sol estiver do meu lado, iremos todos (os que restam) fazer uma grande almoçarada na Casa das Flores, lá para os lados da Ericeira.

É uma casa "pobrezinha" por dentro e "mais ou menos" por fora, como disse a minha mãe, quando a viu pela primeira vez.

- Pois é, respondi!
- Mas gosto dela e vou mantê-la enquanto eu puder.

.

 Passando à frente, como dirá a minha amiga/irmã, Clara (agora gaivota), aquela casa, aquele campo, aquele ar, aquelas flores e aquele mar são um bálsamo. A casa será até "pobrezinha" mas eu também não sou rica e tenho por hábito não ser muito exigente em coisas de ordem material, quando o que está em jogo são outras mais importantes, como por exemplo, alguma paz, bastante liberdade e neste caso concreto, o contacto com a natureza, sempre que me posso escapar para lá...

Voltando à Páscoa, de entre todas as recordações que conservo e que se resumem às almoçaradas familiares em casa da minha mãe, mas sempre, sempre confeccionadas pela minha avó, beirã de nascimento, boa cozinheira e sempre pronta a "enfiar" comida na boca de todos, destaco somente uma recordação religiosa.

Tem a ver com a minha tia (madrinha), irmã do meu pai, que morreu subitamente, quando eu tinha 15 anos e que era muito religiosa. Posso dizer que a seguir aos meus pais, era ela a pessoa que eu mais amava e recordo-a ainda hoje com grande dor e saudade.

Lembro-me bem das 6ª feiras Santas que eu passava sempre em sua casa. Era um ritual que me fascinava e que simultaneamente me amedrontava um pouco. Almoçávamos as duas,  sempre peixe, num silêncio completo, e eu sentia que não estávamos sozinhas, tal era o poder da sua fé e da capacidade que ela tinha de me transmitir isso. O resto do dia era passado a ouvi-la contar passagens da Páscoa como se fosse uma história de fadas ou princesas com um final triste. Lembro-me que chorava sempre, quando Jesus morria.

Passaram muitos anos e eu já não choro com essa história e o poder da sua fé começou a morrer em mim, no dia em que ela também morreu.

Pensando nela e em todos os que conservam a fé em Jesus, vou deixar o tema "Abril" por uns dias (na música e nos textos que eventualmente postar).

Uma boa Páscoa para todos

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neste momento estou: bem
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escrevinhado por MT-Teresa às 20:09
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Um Adeus Português

 Dellacroix

.

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensangüentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

.

 
Alexandre O'Neil
.

escrevinhado por MT-Teresa às 21:43
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Retrato

 

.

 

Eu não tinha este rosto de hoje, 
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, 
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força, 
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

.

Cecilia Meireles

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escrevinhado por MT-Teresa às 21:03
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Frios

 W. Turner

.

E os frios que eu não esperava

nesta primavera que tarda

gelam-me os ossos e a alma

.

Pudesse eu adormecer

no recanto imaginário dos teus braços

.

neste momento estou: "blue"
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escrevinhado por MT-Teresa às 20:47
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Domingo, 1 de Abril de 2007

Este Mês de Abril...

.
Como escrevi no post anterior, este mês vai ser dedicado ao 25 de Abril ( antes e depois) e ao meu filho que faz no dia 17 mais um aniversário. Ele nasceu uns anos mais tarde, mas sempre lhe falei do "antes" para que pudesse ter uma compreensão melhor do "depois".
 
A música que irei colocar durante este mês, será apenas Portuguesa e os textos e poesia que divulgarei serão sobre a liberdade e  também sobre a opressão que se viveu em Portugal, durante quase 50 anos.
 
Que me desculpem os que não partilham este meu sentir e possam eventualmente passar por aqui.
.
tags: ,

escrevinhado por MT-Teresa às 17:47
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Abril Sempre

 

.

 

e de cravos as minhas mãos
se perfumaram
nessa longínqua madrugada
.
.
e em plena liberdade
.
poetas escreveram
.

"Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não"
(Manuel Alegre)

.
e trovadores cantaram
.
Os vampiros - Zeca Afonso
.
clicar para ouvir (desligar a musica de fundo à direita em cima) 

 

 

 

Neste Abril de águas mil vou celebrar a liberdade.
Neste Abril cheio de memórias vou festejar
 mais um aniversário do meu filho.
.
A liberdade e o amor de mãos dadas.
.
neste momento estou: de cravo invísivel na mão
ao som de: Portuguesa

escrevinhado por MT-Teresa às 16:59
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