Domingo, 3 de Dezembro de 2006

Areia

"Woman's Face" de Matisse

Fui pétala alva de rosa
Dancei ao vento cheirosa
Como uma flor caprichosa
Altiva e misteriosa
 
 
Não sabendo que um dia
numa manhã ventosa
A flor que eu fui morreria
 
Fui folha verde viçosa
A mais linda e vaidosa
Altaneira e briosa
Indiferente e charmosa
 
Esquecendo que um dia
numa tarde invernosa
A folha que eu fui cairia
 
Fui terra mãe semeada
Sedenta de ser regada
Árvore abençoada
Dei fruto, maravilhada
 
Rejeitando que um dia
numa noite tenebrosa
A terra que eu fui secaria
 
Agora ...
Sou grão de areia
Presa numa mão cheia
Embrulhada numa teia
 
 
Teresa E.
Set05
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escrevinhado por MT-Teresa às 15:24
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8 comentários:
De Henrique a 3 de Dezembro de 2006 às 21:53
És antes um grão de areia que alguém deixou escapar entre os dedos.

Beijos

Henrique


De MT-Teresa a 4 de Dezembro de 2006 às 13:25
Henrique
Obrigada pela visita e sobretudo por comentares, apesar dos meus escritos já serem teus conhecidos de outras paragens.

Quanto à areia...sou um grão...no universo..e pensando bem...acho que sou eu que me escapo, quando a "prisão" deixa de ser "dourada"

Bjs
Teresa


De Gaivota a 3 de Dezembro de 2006 às 22:20
Quem te deixou escapar, não tem consciência do excelente ser humano que tu és.
Lindo este poema.
Beijo
Clara


De MT-Teresa a 4 de Dezembro de 2006 às 13:30
Clara
Como eu escrevi na minha resposta ao Henrique..talvez seja eu a "escapar-me"...quanto ao ser que tu "vês" ... é o olhar da AMIZADE que nos une que o deforma...rsss

...sou normal...banal...como toda a gente

Bjs e um resto de bom dia de trabalho...estou na "caixa" mas no intervalo


PS: O teu "Clareando" está a ficar 5 e já li que o amigo Trin te visitou ( aqui para nós..acho que ele se zangou comigo...rsss)



De Anónimo a 4 de Dezembro de 2006 às 16:58
o silêncio...
nem sempre é (zanga) e além do mais, que motivos teria?

só o (PS) no comentário à Clara, me fez vir aqui novamente, dizer-lhe...não sei bem o quê, o porquê, o em quê e já está! voltou tudo de novo...

Teresa: o silêncio também pode ser outras coisas...pode muito bem ser "O MEDO" que tantas interrogações estranhas lhe provocou...

Quando o tudo das nossas vidas se põe em causa por exemplo por isto, o mais recente... e que eu não sei explicar:

...escrevia versos ditados pela dor do nosso desencontro...
(eu diria: quero-te com urgência, porque sei que és tu e também eu...não te quero perder)

...de SMB...eu não habito os jardins do teu silêncio
porque tu és de todos os ausentes o ausente...
(eu diria: são as tuas palavras que eu preciso, o teu cheiro e o teu corpo que eu reclamo agora e para sempre)

...de SMB...momentos há em que eu suponho, seres um milagre criado só para mim...
(eu diria: que me importa o mar, o céu e a terra se são os teus versos que me embriagam e me possibilitam a única felicidade?)

...de SMB...pudesse eu não ter laços nem limites...
(eu diria: nem barreiras humanas nem outros entraves circunstanciais e não precisaria ser desonesto com a minha consciência e desejar-te seria um acto tão puro, como rezar à virgem)

...de SMB...e ao descampado se chamava tempo, por isso com teus gestos me vestiste e aprendi a viver em pleno vento...
(eu diria: e que o tempo e o vento me permitam repensar quem sou e o que quero ser e tu? que verbo és? a tua poesia rima com mar e a minha com as cíclicas ondas do tormento)

...fiquei sem saber, quem veio com o vento...
(eu diria: deixa que o vento me diga, quem é teu rosto, porque tudo o resto já mo disseste)

...e neste porto abrigo, que é cais de partida, quando estou perdida, de saudades de ti...
(eu diria: não sei como nem porquê, só sei que os dias passaram a ter sentido depois de te ler... como isso se chama...tenho medo de dizer...)

...são pedaços de minha saudade, que acordaram memórias de ti...
(eu diria: é possível amar e de forma tão bizarra ter ciúmes de uma pessoa que apenas conhecemos a poesia? isto é normal? isto que me está a acontecer...é real?)

...e na linha do horizonte vejo sempre alguém, que está para chegar...
(eu diria: diz-me apenas uma palavra, faz-me apenas um aceno e materializar-me-ei junto de ti...não hoje... mas agora!)

...porque o nosso encontro, foi feito de enganos e salpicos de dor...
(eu diria: depois de tudo, importa a forma se nem ao menos sabemos a razão???)

...esquecendo que um dia, numa tarde invernosa, a folha que eu fui...cairia...
(eu diria: ambos já fomos quase tudo... e por isso pergunto de forma clara "seremos nós a razão dos nossos versos"...???

Teresa: depois de tudo o que já havíamos escrito, achou o meu silêncio...tão frívolo? Se fosse fácil, que nome teria o que dissemos antes?

ADORO-A! (3ª vez)

PS: já agora, a tal caixa é a dos lucros, do défice ou a dos doentes?



De MT-Teresa a 4 de Dezembro de 2006 às 17:46
Trin
não gosto de silêncios, quando o que eu quero é "gritar", até porque como eu digo " Calar para quê...se tudo se pressente?".

estou a sair da "Caixa" que por acaso é de lucros fabulosos, mas de outros..não meus...

talvez venha espreitar..mais logo...



De Anónimo a 4 de Dezembro de 2006 às 17:58
eu também não gosto de silêncios...mas reconheço que por vezes...são necessários e não raras vezes, imprescindíveis.

fala-me do que queres gritar!
diz-me...p.f....o que pressentes tu?

um beijo (ainda posso?) do ...

Colega trin

(tal como no anúncio da tv:..."Há coisas fantásticas, não há?")


De MT-Teresa a 4 de Dezembro de 2006 às 22:05
Com mais tempo, agora...reli o seu 1º comentário...e o meu grito ficou preso...por isso só me resta utilizar o grito de outro...não digo o nome...será que adivinha?

"
Não digas mais, pois te ignorei cativo...
Teus olhos lembram o que querem ser,
Murmúrio de águas sobre a praia, e o esquivo
Langor do poente que me faz esquecer.
Que real que és! Mas eu, que vejo e vivo,
Perco-te, e o som do mar faz-te perder. "

Bj


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